Movimentação de estéril em mina a céu aberto: como funciona?

Movimentação de estéril é decapear, carregar, transportar e empilhar o material sem valor sobre o minério. O transporte leva cerca de metade do custo da mina.

Equipe FX Minas Construtora · 13 de setembro de 2026 · 18 min de leitura

Caminhão articulado basculando rocha numa praça de descarga durante a movimentação de estéril em mina a céu aberto
Foto: acervo Grupo FX Minas

Movimentação de estéril é o ciclo que tira da cava o material sem valor econômico que cobre ou acompanha o minério: decapeamento, escavação e carga, transporte por caminhão e descarga numa pilha projetada ou numa cava exaurida. Em mina a céu aberto, esse volume pode superar o de minério, e o transporte leva cerca de metade do custo operacional.

Se você contrata ou opera frota dentro da mina, o estéril é o material que enche o turno e some da conversa comercial: ninguém o vende, mas cada tonelada passa pelo mesmo caminhão, pela mesma rampa e por uma pilha que precisa ficar de pé por décadas. Este artigo faz parte do guia sobre movimentação de solo e rocha em mineração e cobre o ciclo, o custo, a construção da pilha, as normas de hoje, a regra que a ANM prepara para 2027 e onde cortar custo sem cortar segurança.

O que é estéril e o que o diferencia de minério e rejeito?

Estéril é todo material que a lavra precisa remover e que não tem valor econômico naquele momento: solo, saprolito, rocha de cobertura e minério fora de especificação entre a superfície e o corpo mineralizado. A NBR 13029:2017 define estéril de mina como todo e qualquer material não aproveitável economicamente, e a NRM-19 da ANM manda defini-lo pela composição da jazida, pelas condições de mercado e pela tecnologia de beneficiamento disponível. Estéril é uma decisão econômica, não uma propriedade da rocha.

Minério é o que segue para a usina. Rejeito é o que sobra depois do beneficiamento, moído e geralmente úmido. Estéril nunca passou pela usina: sai da cava do jeito que a escavadeira arrancou, em blocos, cascalho e solo. Por isso rejeito vai para barragem ou pilha de rejeito filtrado, e estéril vai para pilha de estéril ou de volta para uma cava esgotada.

Por que a distinção importa para quem opera? Porque licença, norma e projeto são diferentes. A Deliberação Normativa COPAM 217/2017, que classifica as atividades licenciáveis em Minas Gerais, tem código próprio para pilha de rejeito/estéril de minério de ferro (A-05-04-7) e outro para disposição de estéril em cava de mina (A-05-06-2). E a conta que define o estéril hoje pode reclassificá-lo amanhã: em setembro de 2024 a Vale anunciou a recuperação de cerca de 6,7 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de rejeitos e estéril naquele ano, incluindo a eliminação de uma pilha de estéril na mina Serrinha, em Nova Lima.

O que é relação estéril/minério e por que ela define a mina?

Relação estéril/minério é quanto material sem valor precisa sair para cada tonelada de minério lavrada. Uma relação de 0,4, como a do plano inicial do projeto Minas-Rio, da Anglo American, significa 400 kg de estéril por tonelada de minério. Uma relação de 2 significa duas toneladas de estéril para uma de minério: a frota passa dois terços do tempo carregando o que ninguém vai vender.

O número sai do plano de lavra e muda ao longo da vida da mina: alto no decapeamento, menor quando as bancadas de minério dominam, alto de novo quando aprofundar a cava exige remover mais rocha lateral. Quanto menor o teor e mais profundo o corpo, maior a relação, e é ela que decide se a mina fecha a conta. Não existe levantamento oficial consolidado da relação estéril/minério das minas brasileiras: cada mineradora informa a sua no plano de aproveitamento econômico, e o dado raramente é público.

Pense num corte de rodovia em serra. O que sai do corte precisa virar aterro em algum lugar, e a distância até esse lugar decide o traçado da obra. Na mina é igual: quanto mais longe e mais alto o estéril vai, mais caminhão a operação precisa para a mesma produção de minério.

Como funciona o ciclo de movimentação de estéril, etapa por etapa?

Em seis etapas, da supressão até a pilha pronta para receber vegetação, repetidas a cada avanço da lavra:

  1. Supressão e decapeamento. Depois da supressão vegetal licenciada, o solo orgânico (topsoil) é raspado e guardado em leiras separadas, porque é ele que vai cobrir a pilha no fim.
  2. Escavação e carga. Escavadeira hidráulica ou pá carregadeira enche o caminhão na bancada, em material já desmontado pela mineradora.
  3. Transporte. Caminhão articulado, basculante ou fora de estrada sobe a rampa até a pilha. É a etapa que consome diesel, pneu e tempo.
  4. Descarga na praça de basculamento. Atrás da leira de segurança, nunca na crista. O item 22.7.6 da NR-22 exige leiras com pelo menos metade do diâmetro do maior pneu nas vias, e a praça segue a mesma lógica.
  5. Espalhamento e compactação. Trator de esteira espalha o material em camadas e o tráfego dos caminhões compacta. É aqui que a pilha vira estrutura de engenharia em vez de monte.
  6. Drenagem, acessos e reconformação. Canaletas de berma, descidas d'água, bacia de finos e, banco concluído, cobertura com o topsoil da etapa 1 e revegetação.
EtapaQuem executaO que define o resultado
DecapeamentoEscavadeira, trator de esteira, caminhõesTopsoil guardado sem mistura com estéril
CargaEscavadeira ou pá carregadeiraTempo de carga, praça limpa, número de passes
TransporteFrota de caminhõesDMT, rampa, estado da pista, velocidade média
BasculamentoCaminhõesLeira, posição de descarga, praça sem material solto
EspalhamentoTrator de esteiraCamadas uniformes, compactação pelo tráfego
Drenagem e acessosMotoniveladora, escavadeira, caminhão pipaBermas com caimento, canaletas limpas, pista sem poeira

Na praça de basculamento a gente vê o que o projeto não mostra. Caminhão que bascula perto demais da crista deixa o trator sem espaço para espalhar, e o material desce solto pelo talude. A pilha começa a virar ponta de aterro ali, um caminhão de cada vez. O caminhão descarrega; quem dá forma à pilha é o trator de esteira que vem atrás.

Quanto custa mover estéril?

Cerca de metade do custo operacional de uma mina a céu aberto vai para o transporte, e a parcela do estéril nesse transporte cresce com a relação estéril/minério. Os números da literatura convergem: o estudo de Rodovalho, Lima e De Tomi no Journal of Environmental Management, em 2016, atribui 46% dos custos operacionais ao transporte por caminhões; um trabalho da UFG de 2014 cita 52% para o transporte, 32% para o desmonte e 16% para o carregamento; e a análise de redução de DMT publicada pela UEMG chega a cerca de 60%.

46%

dos custos operacionais de uma mina a céu aberto vêm do transporte por caminhões.Fonte: Rodovalho, Lima e De Tomi, Journal of Environmental Management, 2016, citado pela Metso

Dentro da própria pilha, o transporte também é o item mais caro. A dissertação de mestrado da PUC-Rio sobre a pilha de estéril nº 5 da Mina do Andrade, em Bela Vista de Minas, lista os custos da disposição (drenagem, proteção vegetal, retenção de finos, manutenção e transporte) e conclui que o mais expressivo é o transporte. O mesmo trabalho faz uma crítica que continua atual: o foco das mineradoras na disposição de estéril ainda é reduzir o custo de transporte, e não melhorar o projeto de engenharia da pilha.

O que isso significa para você que contrata? Que o preço por metro cúbico de estéril é, na prática, um preço por quilômetro e por metro de subida. Mudar a pilha de lugar ou de altura muda a proposta inteira.

Como se constrói uma pilha de estéril?

De baixo para cima, em bancos de altura definida, com bermas entre eles, dreno de fundo pronto antes do primeiro caminhão e material espalhado em camadas por trator de esteira. É o método ascendente, que a NBR 13029:2017 e a prática das grandes mineradoras adotam porque cada banco novo apoia no anterior, já conhecido e instrumentado. O método descendente, a ponta de aterro em que o caminhão bascula pela encosta, segrega o material (blocos grandes rolam para a base, finos ficam no topo) e abre caminhos de água dentro do maciço.

A NBR 13029:2017 exige que o projeto informe a ficha técnica da pilha (altura final, elevações de base e crista, ângulo geral, altura dos bancos, largura de berma, capacidade, vida útil, área ocupada e área de supressão), estudos locacionais comparativos, caracterização química do estéril e análises de estabilidade com fator de segurança mínimo. Um estudo de caso publicado na revista Rumos em 2019 resume o que a norma pede e o que um projeto real adotou:

ParâmetroO que a NBR 13029:2017 pede (Claudino e Mendonça, 2019)Projeto real do estudo
Fator de segurança do talude geral1,50 com freática normal e 1,30 com freática críticaAtendido
Fator de segurança entre bermas1,50 com face de solo e 1,30 com face de rochaAtendido
Altura de bancoDefinida em projeto10 m
Largura de bermaSuficiente para acesso, drenagem e manutenção7 m, caimento de 3% transversal e 0,5% longitudinal
Inclinação entre bermasA que garanta o fator de segurança1V:2H
Ângulo geral e alturaDefinidos em projeto21 graus e 137 m
Drenos internosVazão com fator de segurança de 1,5 a 2,5Dreno de fundo em enrocamento
Drenagem superficialRecorrência de 100 anos nas canaletas de berma e 500 anos em descidas e canais periféricosAdotada

Fora do papel, a pilha é feita por três máquinas que raramente aparecem na proposta comercial: o trator de esteira que espalha e compacta, a motoniveladora que mantém o caimento das bermas e o caminhão pipa que segura a poeira da praça. Engenheiros da Vale descrevem a rotina em artigo sobre execução e controle de pilhas: dreno de fundo concluído antes do primeiro banco, disposição sempre ascendente, espalhamento e compactação com trator de esteira, drenagem de berma fechada a cada banco e inspeções periódicas, especiais e de especialistas, com toda anomalia registrada. A classificação de pilhas publicada na Revista Escola de Minas em 2011, a partir de três das 34 pilhas da Vale no Quadrilátero Ferrífero, parte do mesmo princípio.

E quando o estéril chega molhado, na época de chuva? A camada não compacta, o trator patina e a berma perde o caimento. Na chuva a gente reduz a altura da camada e afasta a descarga da crista. Menos produção por turno, mas a pilha continua sendo pilha.

Quais normas valem hoje para a pilha de estéril?

Três textos, um de cada órgão, mais o licenciamento estadual.

  1. NRM-19 (Portaria DNPM 237/2001). A disposição de estéril consta no Plano de Lavra, precedida de estudos geotécnicos, hidrológicos e hidrogeológicos, com projeto técnico (localização, materiais, geometria, drenagem, impactos, monitoramento, abandono e cronograma) e supervisão de profissional habilitado. A ANM informou em setembro de 2025 que a norma está em revisão na Agenda Regulatória 2025-2026.
  2. NR-22, item 22.24. Projeto e supervisão por profissional legalmente habilitado (22.24.1), acessos sinalizados e restritos (22.24.2), estudos prévios (22.24.4), monitoramento de percolação, lençol freático e movimentação (22.24.5), fator de segurança mínimo das normas técnicas e da ANM (22.24.6), evacuação em risco grave e iminente de colapso (22.24.11) e proibição de instalações de produção, apoio, vivência e saúde no perímetro de segurança das pilhas (22.24.14). Desde 2024, o Plano de Atendimento a Emergências lista "colapso de estrutura em pilhas" entre os cenários obrigatórios (22.30.1).
  3. NBR 13029:2017. Os requisitos de projeto da seção anterior.
  4. Licenciamento estadual. Em Minas Gerais, a DN COPAM 217/2017 lista a pilha de rejeito/estéril (A-05-04-5 e, para minério de ferro, A-05-04-7), a disposição em cava (A-05-06-2), a estrada de transporte de minério ou estéril fora dos limites da mina (A-05-05-3) e o reaproveitamento de material disposto em pilha de estéril (A-05-08-4).

Quem responde por tudo isso? A mineradora, como titular do direito minerário e da licença. A contratada de movimentação responde pelo que executa: descarga no lugar certo, camada na espessura certa, berma com caimento, registro por turno. Contrato bom escreve essa divisão antes da primeira viagem.

O que muda com a nova regra da ANM para pilhas?

A ANM está escrevendo a primeira resolução específica de segurança de pilhas de mineração, em consulta pública de 31 de agosto a 14 de outubro de 2026, com audiência pública em 11 de setembro e previsão de publicação até abril de 2027. Pela minuta, a regra alcança inicialmente as pilhas com pelo menos uma destas características: 25 metros de altura na geometria atual ou 50 metros na projetada; material perigoso segundo a NBR 10004:2024 ou rejeito radioativo; ou pessoas, rodovias, infraestrutura essencial ou barragens na área potencialmente afetada.

O gatilho tem data e lugar. Em 7 de dezembro de 2024, a pilha de estéreis e rejeitos da Mina Turmalina, da Jaguar Mining em Conceição do Pará, Minas Gerais, rompeu, atingiu instalações da empresa e casas da comunidade vizinha e levou à interdição do empreendimento pela ANM. A nota informativa da agência registra 80 metros de altura, 16,67 hectares e cerca de 661.188 m³ deslocados, sem vítimas. Em fevereiro de 2025, o Ministério Público de Minas Gerais afirmou que pilhas podem ter efeitos tão graves quanto o rompimento de barragens.

O universo é grande. Segundo dados da ANM citados pela imprensa em novembro de 2025, o país tinha 3.371 pilhas cadastradas, 964 delas em Minas Gerais ao fim de 2024, e só em agosto de 2025 a agência criou uma equipe de dez servidores dedicada à fiscalização de pilhas. O Relatório de Gestão 2025 da ANM registra 75 processos com pilhas críticas analisados para priorizar inspeções, e o PL 2519/2024, na Assembleia de Minas, propõe projeto com ART e divulgação pública dos dados de estabilidade.

Para quem opera a movimentação, a leitura é direta: a pilha que hoje é "área de descarga" passa a ser estrutura com projeto, monitoramento e inspeção auditável, e o histórico de construção (que camada, que espessura, que dia) vira documento. Quem já registra isso por turno sai na frente.

Como reduzir o custo da movimentação de estéril?

Encurtando a distância e a subida, e só depois mexendo na frota. Quatro alavancas, na ordem em que costumam render mais:

  1. Posição e sequência da pilha. DMT é a variável mais cara do ciclo, e a pilha mais perto da frente, avançando na sequência da lavra, é a alavanca mais barata. O estudo da UEMG sobre DMT chega à mesma conclusão: revisar pistas e posição das pilhas antes de comprar caminhão.
  2. Disposição em cava exaurida (backfill). Devolver o estéril a uma cava esgotada elimina a pilha externa, reduz área suprimida e muitas vezes encurta o transporte. Um exemplo em licenciamento: em agosto de 2025 a Gerdau Açominas pediu licença para dispor estéril na Cava Sul da Mina Várzea Leste-Norte, em Itabirito, com capacidade estimada de 4,3 milhões de m³, altura máxima de 66 m, taludes 2H:1V e bancos de 10 m, sob o código A-05-06-2 da DN COPAM 217/2017.
  3. Pista e velocidade. Pista abaulada, drenada e sem poeira mantém a velocidade média e o pneu. É a terraplenagem dentro da mina, que nunca termina enquanto a mina roda.
  4. Casamento escavadeira e caminhão. Caçamba cheia sem derramar, fila zero na carga e nenhum caminhão esperando na descarga. O dimensionamento sai do tempo de ciclo medido em campo, não do catálogo.

E o estéril que vira produto? O programa de mineração circular da Vale mira cerca de 10% da produção anual até 2030 vinda de rejeitos e estéril, e a DN 217 já prevê o reaproveitamento de material disposto em pilha (A-05-08-4). A pilha bem construída, com o material identificado por banco, é a que pode ser lavrada de novo. Pilha lançada em ponta de aterro, com tudo misturado, dificilmente.

O que fazer com isso na sua operação?

Tratar a pilha como parte do ciclo, não como o fim dele. Três decisões concentram o custo e o risco da movimentação de estéril: onde a pilha fica (DMT e subida), como ela sobe (método ascendente, camadas, bermas, dreno de fundo) e quem registra o que foi feito em cada turno. A norma vigente já cobra as três, e a resolução da ANM prevista para 2027 vai cobrar com inspeção e documento.

Se você contrata movimentação, três perguntas separam uma proposta séria de uma que vai custar caro no terceiro ano: qual é a DMT até a pilha e como ela evolui com a sequência de lavra; que equipamentos ficam dedicados à construção da pilha (trator de esteira, motoniveladora, pipa), e não só ao ciclo de carga e transporte; e como a contratada registra camadas, bermas e anomalias por turno. Se você opera, esse registro é o documento mais barato que vai sustentar o que a nova regra exigir. E quando a chuva chegar? A praça que servia no seco fica pequena, e a pilha que subia bem começa a escorregar. É nesse mês que o projeto se prova.

Onde a FX Minas entra?

A FX Minas Construtora executa movimentação de solo e rocha dentro da mina com equipe e frota próprias, e o estéril entra no mesmo contrato do minério: decapeamento com guarda de topsoil, escavação, carga e transporte com caminhões articulados, basculantes e fora de estrada, e construção da pilha pelo método ascendente, com tratores de esteira, motoniveladoras e caminhões pipa dimensionados junto com a frota de carga, seguindo o projeto e a ficha técnica aprovados pela mineradora.

Nas frentes de apoio, a terraplenagem abre acessos, praças e drenagem da pilha, e a locação de equipamentos cobre picos de decapeamento sem imobilizar frota o ano inteiro. Se a sua operação precisa de movimentação de estéril com a pilha dentro do dimensionamento, fale com a engenharia.

Fontes

  1. NRM-19, Disposição de Estéril, Rejeitos e Produtos (Portaria DNPM 237/2001): definição de estéril, Plano de Lavra, estudos prévios, projeto técnico, supervisão e monitoramento.
  2. NR-22, Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração, texto consolidado (Ministério do Trabalho e Emprego): itens 22.7.6, 22.24.1 a 22.24.14 e 22.30.1.
  3. ABNT NBR 13029:2017, Mineração: elaboração e apresentação de projeto de disposição de estéril em pilha: ficha técnica, estudos locacionais, caracterização química e estabilidade.
  4. Projeto geométrico, drenagem e estabilidade de uma pilha de estéril: estudo de caso (Claudino e Mendonça, revista Rumos, Unicerp, 2019): fatores de segurança, tempos de recorrência e geometria do projeto real.
  5. Aspectos gerais de execução e controle de pilhas de estéril: experiências da VALE (Gomes Neto e Aquino, Faculdade Projeção): método ascendente, dreno de fundo, espalhamento com trator de esteira e rotina de inspeções.
  6. Classificação de pilhas de estéril na mineração de ferro (Aragão e Oliveira Filho, Revista Escola de Minas, 2011): 34 pilhas da Vale no Quadrilátero Ferrífero e método ascendente.
  7. Avaliação hidrogeotécnica da fundação da pilha de estéril nº 5 da Mina do Andrade (Saliba, dissertação de mestrado, PUC-Rio), capítulo 2: custos da disposição, peso do transporte e segregação na ponta de aterro.
  8. New approach for reduction of diesel consumption by comparing different mining haulage configurations (Rodovalho, Lima e De Tomi, Journal of Environmental Management, 2016): transporte como 46% dos custos operacionais.
  9. Caminhão fora de estrada: conheça o seu custo operacional (Metso, 2019, atualizado em 2022): leitura do estudo de 2016 e fatores do custo do caminhão.
  10. Análise econômica do transporte de ROM por caminhões e por correias transportadoras (Cardoso Júnior, UFG, 2014): 52% transporte, 32% desmonte, 16% carregamento.
  11. Análise da redução da distância média de transporte (DMT) de uma mina de calcário (Revista Engenharia de Interesse Social, UEMG): transporte em cerca de 60% do custo operacional e posição das pilhas.
  12. Nota informativa sobre o rompimento da pilha na Mina Turmalina (ANM, 10/02/2025, atualizada em 31/07/2025): data, dimensões da pilha, volume deslocado e interdição.
  13. Para MPMG, pilhas podem ter efeitos tão graves quanto rompimento de barragens (O Tempo, 18/02/2025): posição do Ministério Público de Minas Gerais.
  14. ANM disponibiliza minuta de resolução sobre pilhas da mineração para contribuições públicas (Demarest, 31/08/2026): critérios de 25 m e 50 m, prazo da consulta e previsão de publicação.
  15. ANM abre audiência pública sobre critérios de segurança para pilhas de mineração (Jazida, 31/08/2026): audiência de 11/09/2026 e 75 processos com pilhas críticas no Relatório de Gestão 2025.
  16. NRM-19 define regras para estabilidade de pilhas de estéril e rejeitos (ANM, 26/09/2025): revisão da NRM-19 na Agenda Regulatória 2025-2026.
  17. Alternativa às barragens, pilhas de rejeito ameaçam propriedades em Minas Gerais (O Jornalismo, 06/11/2025): 3.371 pilhas cadastradas pela ANM, 964 em Minas Gerais ao fim de 2024 e equipe de dez servidores.
  18. PL 2519/2024 (Assembleia Legislativa de Minas Gerais): projeto com ART e divulgação de dados de estabilidade; quase mil pilhas declaradas no estado, segundo a ANM, em junho de 2024.
  19. Parecer único da FEAM/SEMAD, Gerdau Açominas, Mina Várzea Leste-Norte, Itabirito (2025): disposição de estéril em cava (backfill), capacidade, altura e geometria.
  20. Vale planeja recuperar cerca de 7 milhões de toneladas de minério de ferro a partir do reaproveitamento de rejeitos e estéril (Vale, 12/09/2024): programa de mineração circular e pilha da mina Serrinha.
  21. Deliberação Normativa COPAM nº 217, de 6 de dezembro de 2017: códigos A-05-04-5, A-05-04-7, A-05-05-3, A-05-06-2 e A-05-08-4.
  22. Minas-Rio Iron Ore Project (Mining Technology): relação estéril/minério de 0,4 no plano inicial.

Perguntas frequentes

O que é estéril na mineração?

É todo material que a lavra precisa remover e que não tem valor econômico naquele momento: solo, rocha de cobertura e minério fora de especificação. A NBR 13029:2017 o define como todo material não aproveitável economicamente, e a NRM-19 manda defini-lo pela jazida, pelo mercado e pela tecnologia de beneficiamento. Por isso o que é estéril hoje pode virar minério amanhã.

Qual é a diferença entre estéril e rejeito?

Estéril sai da cava sem passar pela usina, em blocos, cascalho e solo, e vai para pilha de estéril ou para uma cava exaurida. Rejeito é o que sobra depois do beneficiamento, moído e geralmente úmido, e vai para barragem ou pilha de rejeito filtrado. Projeto, norma e código de licenciamento são diferentes para cada um.

O que é relação estéril/minério?

É a quantidade de estéril removida para cada tonelada de minério lavrada, definida no plano de lavra. Uma relação de 0,4 significa 400 kg de estéril por tonelada de minério; uma relação de 2 significa duas toneladas de estéril para uma de minério. Ela muda ao longo da vida da mina e é o que mais pesa no custo por tonelada.

Quem responde pela pilha de estéril: a mineradora ou a contratada?

A mineradora, como titular do direito minerário e da licença, responde pelo projeto, pelo monitoramento e pela estabilidade da pilha perante a ANM e o órgão ambiental. A contratada de movimentação responde pela execução do que o projeto define: descarga no lugar certo, camadas na espessura certa, bermas com caimento e registro do que foi feito. Um contrato bem escrito deixa essa divisão clara antes da primeira viagem.

Pilha de estéril precisa de licença ambiental?

Sim. Em Minas Gerais, a DN COPAM 217/2017 lista a pilha de rejeito/estéril como atividade licenciável, com código específico para minério de ferro, e tem código próprio para a disposição de estéril em cava de mina. A pilha também precisa constar no Plano de Lavra aprovado pela ANM, com projeto de profissional habilitado, como exigem a NRM-19 e o item 22.24 da NR-22.

O que muda com a nova resolução da ANM sobre pilhas?

A ANM colocou em consulta pública, de 31 de agosto a 14 de outubro de 2026, a primeira resolução específica de segurança de pilhas de mineração, com publicação prevista até abril de 2027. A minuta alcança pilhas com 25 m de altura atual ou 50 m projetada, com material perigoso ou com pessoas, rodovias, infraestrutura ou barragens na área potencialmente afetada. Essas pilhas passam a ter projeto, monitoramento e inspeção com regras próprias.

CompartilharLinkedInWhatsApp

Newsletter

Receba os próximos artigos por e-mail

Mineração, terraplenagem, supressão vegetal e segurança, contados por quem opera. Só quando sai artigo novo.

Ao assinar, você concorda com a Política de Privacidade.

Continue lendo

Leia também