Movimentação de estéril em mina a céu aberto: como funciona?
Movimentação de estéril é decapear, carregar, transportar e empilhar o material sem valor sobre o minério. O transporte leva cerca de metade do custo da mina.
Equipe FX Minas Construtora · 13 de setembro de 2026 · 18 min de leitura

Movimentação de estéril é o ciclo que tira da cava o material sem valor econômico que cobre ou acompanha o minério: decapeamento, escavação e carga, transporte por caminhão e descarga numa pilha projetada ou numa cava exaurida. Em mina a céu aberto, esse volume pode superar o de minério, e o transporte leva cerca de metade do custo operacional.
Se você contrata ou opera frota dentro da mina, o estéril é o material que enche o turno e some da conversa comercial: ninguém o vende, mas cada tonelada passa pelo mesmo caminhão, pela mesma rampa e por uma pilha que precisa ficar de pé por décadas. Este artigo faz parte do guia sobre movimentação de solo e rocha em mineração e cobre o ciclo, o custo, a construção da pilha, as normas de hoje, a regra que a ANM prepara para 2027 e onde cortar custo sem cortar segurança.
O que é estéril e o que o diferencia de minério e rejeito?
Estéril é todo material que a lavra precisa remover e que não tem valor econômico naquele momento: solo, saprolito, rocha de cobertura e minério fora de especificação entre a superfície e o corpo mineralizado. A NBR 13029:2017 define estéril de mina como todo e qualquer material não aproveitável economicamente, e a NRM-19 da ANM manda defini-lo pela composição da jazida, pelas condições de mercado e pela tecnologia de beneficiamento disponível. Estéril é uma decisão econômica, não uma propriedade da rocha.
Minério é o que segue para a usina. Rejeito é o que sobra depois do beneficiamento, moído e geralmente úmido. Estéril nunca passou pela usina: sai da cava do jeito que a escavadeira arrancou, em blocos, cascalho e solo. Por isso rejeito vai para barragem ou pilha de rejeito filtrado, e estéril vai para pilha de estéril ou de volta para uma cava esgotada.
Por que a distinção importa para quem opera? Porque licença, norma e projeto são diferentes. A Deliberação Normativa COPAM 217/2017, que classifica as atividades licenciáveis em Minas Gerais, tem código próprio para pilha de rejeito/estéril de minério de ferro (A-05-04-7) e outro para disposição de estéril em cava de mina (A-05-06-2). E a conta que define o estéril hoje pode reclassificá-lo amanhã: em setembro de 2024 a Vale anunciou a recuperação de cerca de 6,7 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de rejeitos e estéril naquele ano, incluindo a eliminação de uma pilha de estéril na mina Serrinha, em Nova Lima.
O que é relação estéril/minério e por que ela define a mina?
Relação estéril/minério é quanto material sem valor precisa sair para cada tonelada de minério lavrada. Uma relação de 0,4, como a do plano inicial do projeto Minas-Rio, da Anglo American, significa 400 kg de estéril por tonelada de minério. Uma relação de 2 significa duas toneladas de estéril para uma de minério: a frota passa dois terços do tempo carregando o que ninguém vai vender.
O número sai do plano de lavra e muda ao longo da vida da mina: alto no decapeamento, menor quando as bancadas de minério dominam, alto de novo quando aprofundar a cava exige remover mais rocha lateral. Quanto menor o teor e mais profundo o corpo, maior a relação, e é ela que decide se a mina fecha a conta. Não existe levantamento oficial consolidado da relação estéril/minério das minas brasileiras: cada mineradora informa a sua no plano de aproveitamento econômico, e o dado raramente é público.
Pense num corte de rodovia em serra. O que sai do corte precisa virar aterro em algum lugar, e a distância até esse lugar decide o traçado da obra. Na mina é igual: quanto mais longe e mais alto o estéril vai, mais caminhão a operação precisa para a mesma produção de minério.
Como funciona o ciclo de movimentação de estéril, etapa por etapa?
Em seis etapas, da supressão até a pilha pronta para receber vegetação, repetidas a cada avanço da lavra:
- Supressão e decapeamento. Depois da supressão vegetal licenciada, o solo orgânico (topsoil) é raspado e guardado em leiras separadas, porque é ele que vai cobrir a pilha no fim.
- Escavação e carga. Escavadeira hidráulica ou pá carregadeira enche o caminhão na bancada, em material já desmontado pela mineradora.
- Transporte. Caminhão articulado, basculante ou fora de estrada sobe a rampa até a pilha. É a etapa que consome diesel, pneu e tempo.
- Descarga na praça de basculamento. Atrás da leira de segurança, nunca na crista. O item 22.7.6 da NR-22 exige leiras com pelo menos metade do diâmetro do maior pneu nas vias, e a praça segue a mesma lógica.
- Espalhamento e compactação. Trator de esteira espalha o material em camadas e o tráfego dos caminhões compacta. É aqui que a pilha vira estrutura de engenharia em vez de monte.
- Drenagem, acessos e reconformação. Canaletas de berma, descidas d'água, bacia de finos e, banco concluído, cobertura com o topsoil da etapa 1 e revegetação.
| Etapa | Quem executa | O que define o resultado |
|---|---|---|
| Decapeamento | Escavadeira, trator de esteira, caminhões | Topsoil guardado sem mistura com estéril |
| Carga | Escavadeira ou pá carregadeira | Tempo de carga, praça limpa, número de passes |
| Transporte | Frota de caminhões | DMT, rampa, estado da pista, velocidade média |
| Basculamento | Caminhões | Leira, posição de descarga, praça sem material solto |
| Espalhamento | Trator de esteira | Camadas uniformes, compactação pelo tráfego |
| Drenagem e acessos | Motoniveladora, escavadeira, caminhão pipa | Bermas com caimento, canaletas limpas, pista sem poeira |
Na praça de basculamento a gente vê o que o projeto não mostra. Caminhão que bascula perto demais da crista deixa o trator sem espaço para espalhar, e o material desce solto pelo talude. A pilha começa a virar ponta de aterro ali, um caminhão de cada vez. O caminhão descarrega; quem dá forma à pilha é o trator de esteira que vem atrás.
Quanto custa mover estéril?
Cerca de metade do custo operacional de uma mina a céu aberto vai para o transporte, e a parcela do estéril nesse transporte cresce com a relação estéril/minério. Os números da literatura convergem: o estudo de Rodovalho, Lima e De Tomi no Journal of Environmental Management, em 2016, atribui 46% dos custos operacionais ao transporte por caminhões; um trabalho da UFG de 2014 cita 52% para o transporte, 32% para o desmonte e 16% para o carregamento; e a análise de redução de DMT publicada pela UEMG chega a cerca de 60%.
46%
Dentro da própria pilha, o transporte também é o item mais caro. A dissertação de mestrado da PUC-Rio sobre a pilha de estéril nº 5 da Mina do Andrade, em Bela Vista de Minas, lista os custos da disposição (drenagem, proteção vegetal, retenção de finos, manutenção e transporte) e conclui que o mais expressivo é o transporte. O mesmo trabalho faz uma crítica que continua atual: o foco das mineradoras na disposição de estéril ainda é reduzir o custo de transporte, e não melhorar o projeto de engenharia da pilha.
O que isso significa para você que contrata? Que o preço por metro cúbico de estéril é, na prática, um preço por quilômetro e por metro de subida. Mudar a pilha de lugar ou de altura muda a proposta inteira.
Como se constrói uma pilha de estéril?
De baixo para cima, em bancos de altura definida, com bermas entre eles, dreno de fundo pronto antes do primeiro caminhão e material espalhado em camadas por trator de esteira. É o método ascendente, que a NBR 13029:2017 e a prática das grandes mineradoras adotam porque cada banco novo apoia no anterior, já conhecido e instrumentado. O método descendente, a ponta de aterro em que o caminhão bascula pela encosta, segrega o material (blocos grandes rolam para a base, finos ficam no topo) e abre caminhos de água dentro do maciço.
A NBR 13029:2017 exige que o projeto informe a ficha técnica da pilha (altura final, elevações de base e crista, ângulo geral, altura dos bancos, largura de berma, capacidade, vida útil, área ocupada e área de supressão), estudos locacionais comparativos, caracterização química do estéril e análises de estabilidade com fator de segurança mínimo. Um estudo de caso publicado na revista Rumos em 2019 resume o que a norma pede e o que um projeto real adotou:
| Parâmetro | O que a NBR 13029:2017 pede (Claudino e Mendonça, 2019) | Projeto real do estudo |
|---|---|---|
| Fator de segurança do talude geral | 1,50 com freática normal e 1,30 com freática crítica | Atendido |
| Fator de segurança entre bermas | 1,50 com face de solo e 1,30 com face de rocha | Atendido |
| Altura de banco | Definida em projeto | 10 m |
| Largura de berma | Suficiente para acesso, drenagem e manutenção | 7 m, caimento de 3% transversal e 0,5% longitudinal |
| Inclinação entre bermas | A que garanta o fator de segurança | 1V:2H |
| Ângulo geral e altura | Definidos em projeto | 21 graus e 137 m |
| Drenos internos | Vazão com fator de segurança de 1,5 a 2,5 | Dreno de fundo em enrocamento |
| Drenagem superficial | Recorrência de 100 anos nas canaletas de berma e 500 anos em descidas e canais periféricos | Adotada |
Fora do papel, a pilha é feita por três máquinas que raramente aparecem na proposta comercial: o trator de esteira que espalha e compacta, a motoniveladora que mantém o caimento das bermas e o caminhão pipa que segura a poeira da praça. Engenheiros da Vale descrevem a rotina em artigo sobre execução e controle de pilhas: dreno de fundo concluído antes do primeiro banco, disposição sempre ascendente, espalhamento e compactação com trator de esteira, drenagem de berma fechada a cada banco e inspeções periódicas, especiais e de especialistas, com toda anomalia registrada. A classificação de pilhas publicada na Revista Escola de Minas em 2011, a partir de três das 34 pilhas da Vale no Quadrilátero Ferrífero, parte do mesmo princípio.
E quando o estéril chega molhado, na época de chuva? A camada não compacta, o trator patina e a berma perde o caimento. Na chuva a gente reduz a altura da camada e afasta a descarga da crista. Menos produção por turno, mas a pilha continua sendo pilha.
Quais normas valem hoje para a pilha de estéril?
Três textos, um de cada órgão, mais o licenciamento estadual.
- NRM-19 (Portaria DNPM 237/2001). A disposição de estéril consta no Plano de Lavra, precedida de estudos geotécnicos, hidrológicos e hidrogeológicos, com projeto técnico (localização, materiais, geometria, drenagem, impactos, monitoramento, abandono e cronograma) e supervisão de profissional habilitado. A ANM informou em setembro de 2025 que a norma está em revisão na Agenda Regulatória 2025-2026.
- NR-22, item 22.24. Projeto e supervisão por profissional legalmente habilitado (22.24.1), acessos sinalizados e restritos (22.24.2), estudos prévios (22.24.4), monitoramento de percolação, lençol freático e movimentação (22.24.5), fator de segurança mínimo das normas técnicas e da ANM (22.24.6), evacuação em risco grave e iminente de colapso (22.24.11) e proibição de instalações de produção, apoio, vivência e saúde no perímetro de segurança das pilhas (22.24.14). Desde 2024, o Plano de Atendimento a Emergências lista "colapso de estrutura em pilhas" entre os cenários obrigatórios (22.30.1).
- NBR 13029:2017. Os requisitos de projeto da seção anterior.
- Licenciamento estadual. Em Minas Gerais, a DN COPAM 217/2017 lista a pilha de rejeito/estéril (A-05-04-5 e, para minério de ferro, A-05-04-7), a disposição em cava (A-05-06-2), a estrada de transporte de minério ou estéril fora dos limites da mina (A-05-05-3) e o reaproveitamento de material disposto em pilha de estéril (A-05-08-4).
Quem responde por tudo isso? A mineradora, como titular do direito minerário e da licença. A contratada de movimentação responde pelo que executa: descarga no lugar certo, camada na espessura certa, berma com caimento, registro por turno. Contrato bom escreve essa divisão antes da primeira viagem.
O que muda com a nova regra da ANM para pilhas?
A ANM está escrevendo a primeira resolução específica de segurança de pilhas de mineração, em consulta pública de 31 de agosto a 14 de outubro de 2026, com audiência pública em 11 de setembro e previsão de publicação até abril de 2027. Pela minuta, a regra alcança inicialmente as pilhas com pelo menos uma destas características: 25 metros de altura na geometria atual ou 50 metros na projetada; material perigoso segundo a NBR 10004:2024 ou rejeito radioativo; ou pessoas, rodovias, infraestrutura essencial ou barragens na área potencialmente afetada.
O gatilho tem data e lugar. Em 7 de dezembro de 2024, a pilha de estéreis e rejeitos da Mina Turmalina, da Jaguar Mining em Conceição do Pará, Minas Gerais, rompeu, atingiu instalações da empresa e casas da comunidade vizinha e levou à interdição do empreendimento pela ANM. A nota informativa da agência registra 80 metros de altura, 16,67 hectares e cerca de 661.188 m³ deslocados, sem vítimas. Em fevereiro de 2025, o Ministério Público de Minas Gerais afirmou que pilhas podem ter efeitos tão graves quanto o rompimento de barragens.
O universo é grande. Segundo dados da ANM citados pela imprensa em novembro de 2025, o país tinha 3.371 pilhas cadastradas, 964 delas em Minas Gerais ao fim de 2024, e só em agosto de 2025 a agência criou uma equipe de dez servidores dedicada à fiscalização de pilhas. O Relatório de Gestão 2025 da ANM registra 75 processos com pilhas críticas analisados para priorizar inspeções, e o PL 2519/2024, na Assembleia de Minas, propõe projeto com ART e divulgação pública dos dados de estabilidade.
Para quem opera a movimentação, a leitura é direta: a pilha que hoje é "área de descarga" passa a ser estrutura com projeto, monitoramento e inspeção auditável, e o histórico de construção (que camada, que espessura, que dia) vira documento. Quem já registra isso por turno sai na frente.
Como reduzir o custo da movimentação de estéril?
Encurtando a distância e a subida, e só depois mexendo na frota. Quatro alavancas, na ordem em que costumam render mais:
- Posição e sequência da pilha. DMT é a variável mais cara do ciclo, e a pilha mais perto da frente, avançando na sequência da lavra, é a alavanca mais barata. O estudo da UEMG sobre DMT chega à mesma conclusão: revisar pistas e posição das pilhas antes de comprar caminhão.
- Disposição em cava exaurida (backfill). Devolver o estéril a uma cava esgotada elimina a pilha externa, reduz área suprimida e muitas vezes encurta o transporte. Um exemplo em licenciamento: em agosto de 2025 a Gerdau Açominas pediu licença para dispor estéril na Cava Sul da Mina Várzea Leste-Norte, em Itabirito, com capacidade estimada de 4,3 milhões de m³, altura máxima de 66 m, taludes 2H:1V e bancos de 10 m, sob o código A-05-06-2 da DN COPAM 217/2017.
- Pista e velocidade. Pista abaulada, drenada e sem poeira mantém a velocidade média e o pneu. É a terraplenagem dentro da mina, que nunca termina enquanto a mina roda.
- Casamento escavadeira e caminhão. Caçamba cheia sem derramar, fila zero na carga e nenhum caminhão esperando na descarga. O dimensionamento sai do tempo de ciclo medido em campo, não do catálogo.
E o estéril que vira produto? O programa de mineração circular da Vale mira cerca de 10% da produção anual até 2030 vinda de rejeitos e estéril, e a DN 217 já prevê o reaproveitamento de material disposto em pilha (A-05-08-4). A pilha bem construída, com o material identificado por banco, é a que pode ser lavrada de novo. Pilha lançada em ponta de aterro, com tudo misturado, dificilmente.
O que fazer com isso na sua operação?
Tratar a pilha como parte do ciclo, não como o fim dele. Três decisões concentram o custo e o risco da movimentação de estéril: onde a pilha fica (DMT e subida), como ela sobe (método ascendente, camadas, bermas, dreno de fundo) e quem registra o que foi feito em cada turno. A norma vigente já cobra as três, e a resolução da ANM prevista para 2027 vai cobrar com inspeção e documento.
Se você contrata movimentação, três perguntas separam uma proposta séria de uma que vai custar caro no terceiro ano: qual é a DMT até a pilha e como ela evolui com a sequência de lavra; que equipamentos ficam dedicados à construção da pilha (trator de esteira, motoniveladora, pipa), e não só ao ciclo de carga e transporte; e como a contratada registra camadas, bermas e anomalias por turno. Se você opera, esse registro é o documento mais barato que vai sustentar o que a nova regra exigir. E quando a chuva chegar? A praça que servia no seco fica pequena, e a pilha que subia bem começa a escorregar. É nesse mês que o projeto se prova.
Onde a FX Minas entra?
A FX Minas Construtora executa movimentação de solo e rocha dentro da mina com equipe e frota próprias, e o estéril entra no mesmo contrato do minério: decapeamento com guarda de topsoil, escavação, carga e transporte com caminhões articulados, basculantes e fora de estrada, e construção da pilha pelo método ascendente, com tratores de esteira, motoniveladoras e caminhões pipa dimensionados junto com a frota de carga, seguindo o projeto e a ficha técnica aprovados pela mineradora.
Nas frentes de apoio, a terraplenagem abre acessos, praças e drenagem da pilha, e a locação de equipamentos cobre picos de decapeamento sem imobilizar frota o ano inteiro. Se a sua operação precisa de movimentação de estéril com a pilha dentro do dimensionamento, fale com a engenharia.
Fontes
- NRM-19, Disposição de Estéril, Rejeitos e Produtos (Portaria DNPM 237/2001): definição de estéril, Plano de Lavra, estudos prévios, projeto técnico, supervisão e monitoramento.
- NR-22, Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração, texto consolidado (Ministério do Trabalho e Emprego): itens 22.7.6, 22.24.1 a 22.24.14 e 22.30.1.
- ABNT NBR 13029:2017, Mineração: elaboração e apresentação de projeto de disposição de estéril em pilha: ficha técnica, estudos locacionais, caracterização química e estabilidade.
- Projeto geométrico, drenagem e estabilidade de uma pilha de estéril: estudo de caso (Claudino e Mendonça, revista Rumos, Unicerp, 2019): fatores de segurança, tempos de recorrência e geometria do projeto real.
- Aspectos gerais de execução e controle de pilhas de estéril: experiências da VALE (Gomes Neto e Aquino, Faculdade Projeção): método ascendente, dreno de fundo, espalhamento com trator de esteira e rotina de inspeções.
- Classificação de pilhas de estéril na mineração de ferro (Aragão e Oliveira Filho, Revista Escola de Minas, 2011): 34 pilhas da Vale no Quadrilátero Ferrífero e método ascendente.
- Avaliação hidrogeotécnica da fundação da pilha de estéril nº 5 da Mina do Andrade (Saliba, dissertação de mestrado, PUC-Rio), capítulo 2: custos da disposição, peso do transporte e segregação na ponta de aterro.
- New approach for reduction of diesel consumption by comparing different mining haulage configurations (Rodovalho, Lima e De Tomi, Journal of Environmental Management, 2016): transporte como 46% dos custos operacionais.
- Caminhão fora de estrada: conheça o seu custo operacional (Metso, 2019, atualizado em 2022): leitura do estudo de 2016 e fatores do custo do caminhão.
- Análise econômica do transporte de ROM por caminhões e por correias transportadoras (Cardoso Júnior, UFG, 2014): 52% transporte, 32% desmonte, 16% carregamento.
- Análise da redução da distância média de transporte (DMT) de uma mina de calcário (Revista Engenharia de Interesse Social, UEMG): transporte em cerca de 60% do custo operacional e posição das pilhas.
- Nota informativa sobre o rompimento da pilha na Mina Turmalina (ANM, 10/02/2025, atualizada em 31/07/2025): data, dimensões da pilha, volume deslocado e interdição.
- Para MPMG, pilhas podem ter efeitos tão graves quanto rompimento de barragens (O Tempo, 18/02/2025): posição do Ministério Público de Minas Gerais.
- ANM disponibiliza minuta de resolução sobre pilhas da mineração para contribuições públicas (Demarest, 31/08/2026): critérios de 25 m e 50 m, prazo da consulta e previsão de publicação.
- ANM abre audiência pública sobre critérios de segurança para pilhas de mineração (Jazida, 31/08/2026): audiência de 11/09/2026 e 75 processos com pilhas críticas no Relatório de Gestão 2025.
- NRM-19 define regras para estabilidade de pilhas de estéril e rejeitos (ANM, 26/09/2025): revisão da NRM-19 na Agenda Regulatória 2025-2026.
- Alternativa às barragens, pilhas de rejeito ameaçam propriedades em Minas Gerais (O Jornalismo, 06/11/2025): 3.371 pilhas cadastradas pela ANM, 964 em Minas Gerais ao fim de 2024 e equipe de dez servidores.
- PL 2519/2024 (Assembleia Legislativa de Minas Gerais): projeto com ART e divulgação de dados de estabilidade; quase mil pilhas declaradas no estado, segundo a ANM, em junho de 2024.
- Parecer único da FEAM/SEMAD, Gerdau Açominas, Mina Várzea Leste-Norte, Itabirito (2025): disposição de estéril em cava (backfill), capacidade, altura e geometria.
- Vale planeja recuperar cerca de 7 milhões de toneladas de minério de ferro a partir do reaproveitamento de rejeitos e estéril (Vale, 12/09/2024): programa de mineração circular e pilha da mina Serrinha.
- Deliberação Normativa COPAM nº 217, de 6 de dezembro de 2017: códigos A-05-04-5, A-05-04-7, A-05-05-3, A-05-06-2 e A-05-08-4.
- Minas-Rio Iron Ore Project (Mining Technology): relação estéril/minério de 0,4 no plano inicial.
Perguntas frequentes
O que é estéril na mineração?
É todo material que a lavra precisa remover e que não tem valor econômico naquele momento: solo, rocha de cobertura e minério fora de especificação. A NBR 13029:2017 o define como todo material não aproveitável economicamente, e a NRM-19 manda defini-lo pela jazida, pelo mercado e pela tecnologia de beneficiamento. Por isso o que é estéril hoje pode virar minério amanhã.
Qual é a diferença entre estéril e rejeito?
Estéril sai da cava sem passar pela usina, em blocos, cascalho e solo, e vai para pilha de estéril ou para uma cava exaurida. Rejeito é o que sobra depois do beneficiamento, moído e geralmente úmido, e vai para barragem ou pilha de rejeito filtrado. Projeto, norma e código de licenciamento são diferentes para cada um.
O que é relação estéril/minério?
É a quantidade de estéril removida para cada tonelada de minério lavrada, definida no plano de lavra. Uma relação de 0,4 significa 400 kg de estéril por tonelada de minério; uma relação de 2 significa duas toneladas de estéril para uma de minério. Ela muda ao longo da vida da mina e é o que mais pesa no custo por tonelada.
Quem responde pela pilha de estéril: a mineradora ou a contratada?
A mineradora, como titular do direito minerário e da licença, responde pelo projeto, pelo monitoramento e pela estabilidade da pilha perante a ANM e o órgão ambiental. A contratada de movimentação responde pela execução do que o projeto define: descarga no lugar certo, camadas na espessura certa, bermas com caimento e registro do que foi feito. Um contrato bem escrito deixa essa divisão clara antes da primeira viagem.
Pilha de estéril precisa de licença ambiental?
Sim. Em Minas Gerais, a DN COPAM 217/2017 lista a pilha de rejeito/estéril como atividade licenciável, com código específico para minério de ferro, e tem código próprio para a disposição de estéril em cava de mina. A pilha também precisa constar no Plano de Lavra aprovado pela ANM, com projeto de profissional habilitado, como exigem a NRM-19 e o item 22.24 da NR-22.
O que muda com a nova resolução da ANM sobre pilhas?
A ANM colocou em consulta pública, de 31 de agosto a 14 de outubro de 2026, a primeira resolução específica de segurança de pilhas de mineração, com publicação prevista até abril de 2027. A minuta alcança pilhas com 25 m de altura atual ou 50 m projetada, com material perigoso ou com pessoas, rodovias, infraestrutura ou barragens na área potencialmente afetada. Essas pilhas passam a ter projeto, monitoramento e inspeção com regras próprias.
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